Eu conheço o silêncio. Sei identificar quando é medo, angústia, expectativa, paz, tormenta, conflito ou harmonia. Conheço praticamente todos os seus significados e ares. Por aqui o silêncio sempre foi muitas coisas e sentimentos, momentos e faltas; ele sempre quis me dizer algo a mais. E sempre disse, é verdade. Acabamos nos tornando amigos, grandes amigos: entendemos-nos.
Alguns estranham, não sabem como lido com ele, como o suporto e até converso. Pode ser loucura minha, mas há palavras que somente ele me diz e dores ou felicidades que somente ele traduz. Não é exatamente poético, mas é real, uma companhia para todas as horas. Particularmente, sou mais de calar do que falar.
Entenda que eu me fiz assim: vendo muito, falando pouco e levando tudo para as palavras. Foi a minha saída para uma vida inteira. Sou tão breve quanto as minhas falas e palavras… Pode me errar, não me escutar e se enraivecer com o meu silêncio: aqui as palavras são sagradas. Não peço mais perdão por falar tão pouco. Peço, por favor: aceite que me calo para amenizar a vida ou celebrar, chorar, absorver. Eu me calo para sobreviver.
Como esta noite, o silêncio é uma neblina que nada se vê, mas tudo se teme.
—Camila Costa. (via camilacosta)Quando se está com fome de uma forma compulsiva ou fora de hora, as pessoas aconselham a tomar água. Dizem que, sei lá, aquilo irá de alguma forma preencher e distrair a fome indevida, não é? Pode ter alguma explicação muito mais biológica e científica que não vem ao caso, mas o popular é mais ou menos assim. A água vai “distrair” a fome. Eu gostaria de saber: qual a água da saudade? E da dor? Dos pensamentos negativos? Qual a água da decepção? Digo, se até a fome que vem do organismo e foge do nosso controle tem como ser distraída e enganada, por que não o resto? Por que essas coisas que batem lá na porta do coração também não podem ser distraídas?
Então, qual é a “água” da vida?
—Camila Costa. (via camilacosta)(via camilacosta)
Eu não sou a vítima. Em outro dia onde apelo para as palavras na busca de um toque mais refinado e poético à vida e ao que passou - e tudo vive a simplesmente passar -, eu não sou a vítima. A tristeza de hoje não teve trilha sonora. O som era do freio dos ônibus, das buzinas dos carros, dos…
Não intitulo nada. Não sei dar nome às coisas, desde o que sinto até o que escrevo. Dar nome é muito exato e o que faço é sempre o oposto, incerto, recheado de outros caminhos. Sei que alguns textos precisam de título e não posso deixá-los sem pois o impacto do início pode designar toda a sensação de quem o lê. Lembro-me da professora sempre dizer “não esqueçam o título depois de acabar”, e eu, lá na última linha, pensar: por que o início é sempre o fim? Mas, sinceramente, o mesmo texto dito “Desgastamos emoções”, poderia ser pura e simplesmente “O amor morreu”. Suavizar para quê? Intitular para quê? Se as coisas em geral são tudo e nada, boas e ruins, sim e não, por que ditar antes do fim?
Preciso aprender a dar nomes, superar a deficiência de não encarar a definição das coisas e das minhas palavras cada vez mais tortas e sem sentido. Talvez, por tudo ser torto é que eu não dê títulos. As coisas se quebram fácil e os textos de ontem já estão velhos hoje.
A minha primeira linha sempre fica em branco; eu me acostumei a começar errado.
—Camila Costa. (via camilacosta)(via camilacosta)